Semente com traço de
transgenia terá regulamento em poucos dias
Previsão é do presidente da Abrasem. Segundo ele toda a etapa burocrática
da aprovação está finalizada
Miyamoto não acredita que liberação
para esta safra nova chegue às vésperas, como foi ano
passado
MARIANNA PERES
Da Editoria
O presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem),
Iwao Miyamoto, anuncia que a questão da liberação do plantio
de sementes de algodão com até 1% de contaminação
por organismos geneticamente modificados (OGM) está encaminhada e que
a regulamentação deverá ser publicada em poucos dias por
portaria do Ministério da Agricultura.
Miyamoto antecipa que a publicação será favorável
ao plantio. “Não tenho dúvidas sobre isso. Estive semana passada
em Brasília, e os estudos que competiam à CTNBio e à Embrapa
já foram realizados e neste momento estão com a equipe técnica
do Ministério. Ou seja, a parte burocrática e seus devidos trâmites
já foram realizados”, assegura.
Como disse Miyamoto, “os produtores não precisam se preocupar. Neste
ano não há ameaça de falta de sementes, como foi no ano
passado”.
O presidente faz referência ao imbróglio ocorrido às vésperas
do plantio da safra 04/05, quando o Ministério exigia sementes de algodão
com 100% de pureza e a Abrasem defendia o plantio de sementes com 99% de pureza,
justificando que no mercado não existem mais sementes com este grau
de pureza. Em novembro do ano passado, por meio de parecer da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), foi autorizado e
regulamentado, para aquela safra, o plantio de sementes com “traços” de
transgenia no limite de até 1%.
A preocupação com relação ao plantio desta nova
safra foi levantada pelo diretor da cooperativa Unicotton, localizada em Primavera
do Leste (239 quilômetros ao Centro Leste de Cuiabá), Hélvio
Fiedler, “pois não existem sementes no mundo sem traços de transgenia”.
O temor do setor produtivo pode ser muito bem entendido. Ano passado, enquanto
a decisão pelo plantio não era autorizada, sementes para cobertura
de 200 mil hectares (ha) em Mato Grosso estiveram impedidas de serem entregues
por conter traços de OGM.
A assessoria da CTNBio informou que não existe mais nenhuma pendência
sobre esta questão que necessite de parecer da Comissão. “Tudo
que era necessário já foi realizado pela CTNBio e pela Embrapa”.
O diretor da Abrasem, Cláudio Manuel da Silva, destaca que a publicação
deverá acontecer nesta semana. “O prazo dado, até então,
era para semana passada. De qualquer forma há a expectativa pela liberação
do plantio de sementes com até 1% de transgenia, que serão classificadas
como material convencional”, aponta.
Ele completa explicando que a liberação vai respeitar as determinações
do zoneamento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias
(Embrapa) que revela as zonas de exclusão, ou seja, regiões onde
o plantio não será permitido, por serem reconhecidas como áreas
nativas da cultura. (Veja mais na página C2)
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