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Cerca de 2.000 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) invadiram na madrugada de ontem a estação de pesquisa, treinamento e beneficiamento de sementes da Monsanto do Brasil em Santa Helena de Goiás (220 km ao sul de Goiânia). É a terceira invasão a uma área da Monsanto neste ano. Em maio, a unidade de Ponta Grossa (PR) foi invadida duas vezes pelo MST. Como no Paraná, a ação em Goiás -além de pressionar o governo para agilizar a reforma agrária- é um protesto contra as experiências com plantas geneticamente modificadas (transgênicas) na propriedade invadida. "Trata-se de um centro de ilegalidade. Mesmo produzindo sementes apenas para pesquisas, eles [a Monsanto] estão plantando com a intenção de reproduzir", disse o líder do MST Luiz Afonso Arantes. Para Arantes, o "poder agrícola" da Monsanto é capaz de "arrebentar com os pequenos produtores rurais". "Por se tratar de uma empresa multinacional, ela [Monsanto] impõe uma situação que impede a competição com os agricultores familiares." De acordo com a Monsanto, na fazenda invadida pelo MST, 200 ha destinados à pesquisa, dos quais 7 ha são destinados a ensaios com sementes transgênicas. Outros 11 ha são usados para a produção e o beneficiamento de sementes convencionais e 96 ha para reserva ambiental. A empresa afirma que as pesquisas com transgênicos seguem as especificações da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e são fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura. A invasão Segundo o MST, os sem-terra invadiram a fazenda por volta das 4h, vindos de assentamentos próximos, nas cidades de Rio Verde, Paranaiguara e Caldas Novas. De manhã, a Monsanto informou a Secretaria da Segurança Pública do Estado sobre a invasão. Depois, entrou com um pedido de reintegração de posse -que, até o fechamento desta edição, não havia sido julgado- na Justiça de Goiás. O MST diz aguardar o posicionamento do governo estadual e da empresa para negociar a saída das famílias. Empresa afirma que ação põe agronegócio em risco DA AGÊNCIA FOLHA A Monsanto entrou ontem com pedido de reintegração de posse na Justiça de Goiás e divulgou nota de repúdio contra a ação dos integrantes do MST que invadiram a unidade de Santa Helena de Goiás. A fazenda tem 24 funcionários diretos e 108 temporários. Para a empresa, "repetidas iniciativas como essa, além de comprometerem o progresso da ciência no Brasil, colocam em xeque a imagem do país no mercado internacional e prejudicam o desenvolvimento da agricultura nacional". Segundo a assessoria da Monsanto, a empresa investirá US$ 800 milhões no país até 2004. "A ausência de postura mais clara e rigorosa para fazer valer a lei e garantir condições seguras de trabalho são fatores de desequilíbrio e risco para o Brasil e para o agronegócio que podem comprometer todas as metas de desenvolvimento do país", disse o diretor de comunicações da Monsanto no Brasil, Lúcio Pedro Mocsányi. "A Monsanto aguarda ainda a reintegração de posse da área invadida e pede às autoridades empenho para que a questão seja resolvida urgentemente e da melhor forma, sem nenhum tipo de confronto com os manifestantes." (AC) Técnicos vão vistoriar unidade invadida no PR DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA A unidade de pesquisa e treinamento da Monsanto do Brasil em Ponta Grossa (PR) será vistoriada por técnicos da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) depois de amanhã. A área foi invadida no último dia 16 e permanece ocupada por 150 integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Os técnicos da CTNBio, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, irão vistoriar os experimentos da empresa no local, com soja e milho geneticamente modificados. Técnicos do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná irão acompanhar os trabalhos da CTNBio. A vistoria foi solicitada pelo procurador de Justiça Saint-Clair Honorato Santos, coordenador do Centro de Apoio à Promotorias de Proteção do Meio Ambiente. A Monsanto tem, desde o dia 19, determinação do Tribunal de Alçada do Paraná para a reintegração de posse da área, de 48 hectares. A decisão judicial ainda não foi cumprida pelo governo paranaense, que espera o resultado da vistoria para se posicionar. (JOSÉ MASCHIO) |